Como calcular o valor de um precatório? O cálculo parte do valor de face (o valor da condenação registrado no ofício requisitório) e segue três etapas: primeiro, aplica-se a correção monetária de cada período, hoje IPCA + 2% ao ano, com teto na SELIC, conforme a EC 136/2025; entre dezembro de 2021 e agosto de 2025 valia a SELIC como índice único, pela EC 113/2021. Depois, subtraem-se os descontos: honorários contratuais e sucumbenciais, imposto de renda retido na fonte (pelo regime RRA) e, no caso de servidores públicos, o PSS de 11%. O resultado é o valor líquido do precatório, o que realmente cai na conta. Quem prefere antecipar em vez de esperar a fila aplica ainda o desconto de negociação, chamado tecnicamente de deságio, sobre o valor atualizado. A PJUS, maior empresa de compra de precatórios do Brasil e parceira da XP Asset, faz essa conta gratuitamente para o credor antes de qualquer proposta de antecipação.
Fórmula de Cálculo Passo a Passo
Valor base: valor fixado na sentença/acórdão
+ Correção monetária: IPCA de jan/2026 = 4,83% (ajuste anual)
+ Juros: SELIC 2026 = 10,5% ao ano (atualizado dia 20 de cada mês)
– IR (15%): incide sobre juros, não sobre o principal
– Honorários (devidos ao seu advogado): média PJUS 8-15%
Exemplo: Você venceu contra a União por R$ 80.000 em 2024. Em julho de 2026 (30 meses depois):
- Correção: R$ 80.000 × 1,15 = R$ 92.000
- Juros (30 meses, SELIC): ~R$ 23.000
- IR sobre juros (15%): -R$ 3.450
- Honorários (10%): -R$ 11.155
- Valor líquido a receber: R$ 100.395
A PJUS atualiza esses cálculos automaticamente na análise.
Quanto vou receber do meu precatório? Essa é, de longe, a pergunta que a gente mais escuta de credores, e respondê-la é exatamente o que significa calcular o valor do precatório na prática. A resposta honesta é: quase nunca é o número que aparece na sentença. Entre o valor da condenação e o dinheiro na conta existem correção monetária, juros, honorários e impostos, tudo previsto no Art. 100 da Constituição Federal e nas emendas que o alteraram, como a EC 113/2021 e a EC 136/2025.
Este guia é o único do nosso blog que entrega a conta completa de ponta a ponta: você vai ver o que compõe o valor bruto, como funciona a atualização em cada período, quais descontos saem antes do pagamento e, o mais importante, dois exemplos numéricos passo a passo. Um para quem vai esperar o pagamento do ente devedor (União, estado ou município) e outro para quem pensa em vender o precatório com desconto. No fim, você sabe exatamente como calcular o valor do precatório no seu caso.
Por que a PJUS pode explicar essa conta
A PJUS atua desde 2013 no mercado de precatórios e é hoje a maior empresa de compra de precatórios do Brasil, parceira da XP Asset. São mais de 200 colaboradores, mais de 80 advogados internos e presença em todos os 27 estados. Segundo levantamento interno da empresa, validado em março de 2026, já foram mais de R$ 3 bilhões originados e mais de 12 mil ativos no track record da PJUS. Ou seja: aprender como calcular o valor do precatório aqui tem lastro em quem refaz essa conta todos os dias, precatório por precatório.
“O credor que chega com o ofício requisitório em mãos sai da conversa sabendo exatamente quanto vai receber. A conta deixa de ser um mistério e vira uma decisão”, afirma André Luiz Almeida, Superintendente Comercial da PJUS.
O que compõe o valor bruto de um precatório
O valor bruto de um precatório é a soma do principal da condenação com a correção monetária e os juros de mora acumulados até a data do cálculo. É esse total que aparece como valor requisitado no ofício requisitório, o documento mais confiável para saber quanto o seu crédito vale.
Na prática, o crédito tem estes componentes:
- Principal: o valor original da condenação, definido na fase de cumprimento de sentença e expedição do ofício;
- Correção monetária: a atualização do poder de compra ao longo da espera;
- Juros de mora: a compensação pelo atraso no pagamento;
- Honorários sucumbenciais: crédito autônomo do advogado, pago pelo ente devedor em requisição separada;
- Honorários contratuais: o percentual combinado entre você e o seu advogado, que pode vir destacado no próprio ofício.
A fórmula geral é simples de memorizar:
Valor líquido = (principal + correção + juros) – honorários – IR – PSS (quando aplicável)

Cada uma dessas peças tem regra própria, e todas entram na conta de como calcular o valor do precatório. Vamos por partes.
Como funciona a correção do valor do precatório em 2026
A correção monetária do precatório segue hoje o regime da EC 136/2025: desde setembro de 2025, o crédito é atualizado por IPCA + 2% ao ano, e a SELIC funciona como teto, ou seja, se a SELIC do período for menor que a soma de IPCA e juros, aplica-se a SELIC. Antes disso, cada período teve um índice diferente, e um cálculo correto precisa respeitar cada janela.
A linha do tempo dos índices ficou assim:
| Período | Índice aplicável | Base legal |
|---|---|---|
| Até novembro de 2021 | IPCA-E (correção) + juros da poupança, calculados separadamente | Tema 810 do STF |
| Dezembro de 2021 a agosto de 2025 | SELIC como índice único (correção e juros embutidos) | EC 113/2021 |
| A partir de setembro de 2025 | IPCA + 2% ao ano, com teto na SELIC | EC 136/2025 e Provimento CNJ 207/2025 |
Um detalhe que derruba muita conta feita em casa: não se aplica SELIC antes de dezembro de 2021 nem se somam juros por fora no período em que a SELIC foi índice único, porque ela já embute correção e juros. Cada índice vale só para a sua janela. Se você quer entender a mecânica de cada índice em detalhe, temos um artigo dedicado a juros e correção monetária de precatórios.
E tem a Súmula Vinculante 17: se o ente devedor paga dentro do prazo constitucional, não incidem juros de mora no período entre a inclusão no orçamento e o pagamento. É por isso que dois precatórios parecidos podem chegar ao fim com valores diferentes.
A EC 136/2025 também mudou o calendário: desde 2026, o precatório precisa ser autuado até 1º de fevereiro para entrar no orçamento do ano seguinte. Explicamos os efeitos completos dessa emenda no artigo sobre a EC 136/2025 e o que muda nos precatórios.
Quais descontos saem antes de o dinheiro cair na conta
Depois de atualizado, o precatório sofre deduções. São elas que separam o valor bruto do valor líquido do precatório, e quem quer calcular o valor do precatório de verdade não pode pular nenhuma. Listamos as cinco mais comuns em um artigo específico sobre descontos de precatórios; aqui vai o essencial para a conta.
Honorários contratuais e sucumbenciais
Os honorários sucumbenciais são do advogado e pagos pelo ente devedor em requisição própria: eles não saem do seu bolso. Já os honorários contratuais são o percentual que você combinou com o seu advogado no contrato e saem do seu crédito. Quando destacados no ofício requisitório, têm tributação separada, o que costuma ser vantajoso para o credor.
Imposto de renda pelo regime RRA
O IR é retido na fonte no momento do pagamento. Como o precatório costuma acumular rendimentos de vários anos, aplica-se o regime de RRA (Rendimentos Recebidos Acumuladamente): a tabela progressiva incide sobre a base mensal, isto é, o valor tributável dividido pelo número de meses acumulados. Isso reduz bastante a alíquota efetiva em comparação com a aplicação direta de 27,5% sobre o total.
Há isenções relevantes: indenizações por acidente de trabalho, verbas de natureza indenizatória e proventos de aposentadoria ou pensão de portadores de doença grave, conforme o Art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. Atenção a um ponto importante: a Lei 15.270/2025 alterou as tabelas do imposto de renda, inclusive a do RRA, a partir de janeiro de 2026. Por isso, o valor exato do IR depende da tabela vigente no ano do pagamento: confirme sempre a tabela do RRA atual no site da Receita Federal ou com um contador antes de fechar a conta. E na hora de declarar, veja nosso guia sobre precatório no imposto de renda.
PSS: só para servidores públicos
O PSS é a contribuição previdenciária de 11% sobre parcelas remuneratórias e se aplica somente a servidores públicos, ativos, inativos ou pensionistas. Se o seu crédito não vem de vínculo com o serviço público, ou tem natureza indenizatória, o PSS simplesmente não entra na sua conta.
Com as regras na mesa, agora vem a parte que ninguém entrega: a conta completa de como calcular o valor do precatório, com números.
Exemplo 1: quanto vou receber esperando o pagamento do ente devedor
Nada explica melhor como calcular o valor do precatório do que um caso concreto. Imagine um credor com um precatório federal alimentar cujo valor atualizado no ofício requisitório é de R$ 300.000,00. Ele não é servidor público, o crédito acumulou rendimentos de 60 meses e o contrato com o advogado prevê honorários contratuais de 30%, destacados no ofício. A conta, passo a passo:

- Valor atualizado: R$ 300.000,00 (correção e juros já aplicados pelo tribunal, período a período, conforme a tabela de índices acima);
- Honorários contratuais (30%): R$ 90.000,00 vão para o advogado, com tributação separada por estarem destacados. Restam R$ 210.000,00 de base para o credor;
- IR pelo regime RRA: R$ 210.000,00 divididos por 60 meses dão base mensal de R$ 3.500,00. O imposto incide sobre essa base mensal pela tabela do RRA, e não sobre os R$ 210.000,00 de uma vez, o que derruba a alíquota efetiva. O valor exato depende da tabela do RRA vigente: como a Lei 15.270/2025 alterou as faixas a partir de janeiro de 2026, essa linha da conta deve ser fechada com a tabela atual da Receita Federal ou com um contador;
- PSS: não incide, porque o credor não é servidor público;
- Valor líquido: a base do credor (R$ 210.000,00) menos o IR calculado pela tabela do RRA vigente. Como a base mensal (R$ 3.500,00) é relativamente baixa, o imposto tende a ser pequeno e o líquido fica próximo de R$ 210.000,00.
Repare no efeito do RRA: como o imposto incide sobre a base mensal, e não sobre os R$ 210.000,00 de uma vez, a alíquota efetiva fica bem abaixo dos 27,5% que muita gente teme. É exatamente por isso que calcular o valor do precatório com a regra certa muda a decisão.
E o prazo? Depende do tribunal, da fila e do orçamento do ente devedor. Mostramos os tempos reais por tribunal no artigo sobre a demora para receber um precatório.
Exemplo 2: quanto vou receber vendendo o precatório com deságio
Agora o cenário de quem não quer, ou não pode, esperar a fila. Aqui, calcular o valor do precatório tem uma variável a mais: o deságio. Na venda, o credor cede o crédito e recebe à vista um valor menor que o atualizado. Esse desconto, chamado tecnicamente de deságio, é o preço da liquidez imediata; explicamos a lógica completa no artigo sobre o que é deságio em precatórios.
Usando o mesmo crédito do exemplo 1, com uma proposta hipotética de deságio sobre o valor atualizado:
- Valor atualizado: R$ 300.000,00;
- Deságio negociado (percentual definido caso a caso na análise): desconto de R$ 105.000,00 neste exemplo. O valor de cessão fica em R$ 195.000,00;
- Honorários contratuais (30%), se o contrato com o advogado previr o pagamento também na cessão: R$ 58.500,00;
- Valor na conta: R$ 136.500,00, recebidos em dias após a formalização da cessão, e não em anos.
Um alerta honesto: a tributação de quem vende o crédito segue regras próprias, diferentes da retenção na fonte do pagamento pelo tribunal. Antes de assinar, converse com um contador e leia o nosso guia de precatório no imposto de renda.
O percentual de deságio não é tabelado: varia conforme o tribunal, a posição na fila, a natureza do crédito e o histórico do ente devedor. Para referência, o próprio poder público pratica descontos em acordos diretos, e o programa de acordos diretos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) também segue essa lógica, com percentual definido pelo próprio tribunal. Na PJUS, cada proposta de antecipação de precatório sai de uma análise individual do crédito, sem tabela genérica.
Colocando os dois cenários lado a lado: um valor líquido próximo de R$ 210.000,00 ao fim de uma espera que pode levar anos, ou R$ 136.500,00 agora. Não existe resposta única. A gente já viu credores nas duas situações, e o que muda tudo em como calcular o valor do precatório é ter os números na mesa antes de decidir.
Erros comuns na hora de calcular o valor do precatório
Depois de milhares de análises, alguns erros aparecem o tempo todo nas contas que os credores trazem prontas:
- Aplicar um índice único a todo o período: cada janela tem seu índice (IPCA-E + poupança, depois SELIC, depois IPCA + 2% ao ano). Misturar as janelas infla ou encolhe o resultado;
- Somar juros por fora no período da SELIC: entre dezembro de 2021 e agosto de 2025 a SELIC já embute correção e juros; contar juros de novo é dobrar o que não existe;
- Ignorar o RRA: aplicar 27,5% direto sobre o total superestima o imposto e faz o credor achar que vai receber menos do que realmente vai;
- Esquecer os honorários contratuais: o percentual do contrato com o advogado sai do valor bruto, e muita gente só lembra dele na hora do pagamento;
- Usar o valor da causa como referência: o número da petição inicial é uma estimativa antiga. O valor confiável é o do ofício requisitório, atualizado.
Se bater dúvida em qualquer linha ao calcular o valor do precatório, o caminho seguro é pedir o demonstrativo de cálculo ao tribunal ou validar os números com quem faz isso profissionalmente.
Perguntas frequentes sobre o cálculo do precatório
Como calcular o valor atualizado de um precatório em 2026?
Parta do valor de face do ofício requisitório e aplique o índice de cada período: IPCA-E mais juros da poupança até novembro de 2021 (Tema 810 do STF), SELIC como índice único de dezembro de 2021 a agosto de 2025 (EC 113/2021) e IPCA + 2% ao ano, com teto na SELIC, a partir de setembro de 2025 (EC 136/2025). O demonstrativo oficial pode ser solicitado ao próprio tribunal.
Quanto desconta de imposto de renda no precatório?
Depende da natureza do crédito e do número de meses acumulados. Pelo regime RRA, a tabela do IR incide sobre a base mensal (valor tributável dividido pelos meses do período), o que reduz a alíquota efetiva. Como a Lei 15.270/2025 alterou as tabelas do imposto de renda a partir de 2026, o valor exato deve ser conferido na tabela do RRA vigente na Receita Federal. Verbas indenizatórias e credores com doença grave (Art. 6º, XIV, Lei 7.713/88) podem ter isenção.
O que é deságio e quanto desconta na venda do precatório?
Deságio é o desconto aplicado sobre o valor atualizado do precatório quando o credor antecipa o recebimento por meio de cessão de crédito. Não existe percentual fixo: ele varia com o tribunal, a fila e o tipo de crédito. Até o poder público usa desconto em acordos diretos, com percentual definido pelo próprio tribunal. Cada proposta séria sai de análise individual do crédito.
Quem não é servidor público paga PSS no precatório?
Não. O PSS, contribuição de 11% sobre parcelas remuneratórias, aplica-se somente a servidores públicos ativos, aposentados ou pensionistas. Créditos de natureza indenizatória e credores sem vínculo com o serviço público não têm essa dedução no cálculo do valor líquido.
Onde encontro o valor oficial do meu precatório?
No ofício requisitório, o documento expedido pelo juízo de origem com principal, juros, honorários e deduções. Ele é a fonte primária de valores: em caso de divergência com outros documentos, o ofício prevalece. Você também pode acompanhar o crédito pelo portal do tribunal, como mostramos no passo a passo de como consultar precatório pelo CPF.
Quanto vou receber se vender meu precatório hoje?
O valor de cessão é o valor atualizado do crédito menos o deságio negociado. No nosso exemplo, um precatório de R$ 300.000,00 gera um valor de cessão de R$ 195.000,00 após o desconto negociado, dos quais ainda podem sair honorários contratuais. A vantagem é a liquidez: o pagamento acontece em dias após a formalização, com segurança jurídica prevista nos Arts. 286 a 298 do Código Civil.
A conta certa vale mais que a pressa
Calcular o valor do precatório é seguir uma trilha objetiva: valor de face, correção por período, descontos de honorários, IR e PSS, e, se houver venda, o deságio sobre o valor atualizado. Quem faz essa conta com as regras certas decide melhor, seja para esperar, seja para antecipar.
Ficou com dúvida sobre algum número do seu crédito? A PJUS faz a análise do seu precatório sem custo e apresenta a conta aberta, linha a linha, antes de qualquer proposta.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação jurídica especializada.
Quer saber quanto seu precatório vale?
Fale com um consultor da PJUS. Análise gratuita, sem compromisso.
Referências
- Constituição Federal, Art. 100 (Dos Precatórios). Disponível em: planalto.gov.br
- Emenda Constitucional 113/2021 (SELIC como índice único). Disponível em: planalto.gov.br
- Emenda Constitucional 136/2025 (novo regime de pagamentos e correção). Disponível em: planalto.gov.br
- Lei 7.713/88, Art. 6º, XIV (isenções de IR). Disponível em: planalto.gov.br
- STF, Tema 810 de Repercussão Geral (índices de correção até 2021). Disponível em: portal.stf.jus.br
- CNJ, programa de precatórios (Provimento 207/2025). Disponível em: cnj.jus.br
- Código Civil, Arts. 286 a 298 (cessão de crédito). Disponível em: planalto.gov.br
Valor incontroverso: receba sua parte incontestável primeiro
Sobre quem escreveu este artigo
Este conteúdo foi escrito por André Luiz Almeida, Superintendente Comercial da PJUS, com mais de cinco anos de atuação no mercado de precatórios. A PJUS é a maior empresa de compra de precatórios do Brasil, parceira da XP Asset, com histórico de mais de R$ 3 bilhões em ativos originados e mais de 12.000 créditos adquiridos desde 2013, mantendo um índice de perda inferior a 1%.






